Relatório Técnico

Grupo de Pesquisa CNPq “Arte, Cultura e Poder”

Objetivos propostos:
O grupo de pesquisa tem por foco analisar as relações de poder inerentes à constituição dos vários circuitos culturais contemporâneos, especialmente capoeira, grafite, práticas de preservação da memória e do patrimônio, e literatura,  a partir de uma abordagem interdisciplinar capaz de considerar simultaneamente aspectos nacionais e internacionais envolvidos. Três eixos temáticos constituem o grupo: análise da constituição histórica e política do imaginário nacional; a análise de práticas culturais e tensões produzidas entre políticas públicas e forças do mercado; e, em terceiro lugar, a análise comparada de discursos literários de diferentes países.

Resultados alcançados:
Os resultados podem ser aferidos em diversos itens: publicações individuais; organização de dois  seminários em 2010 e 2013; livros publicados; participação dos membros do grupo em encontros, seminários e congressos; coordenação do GT “Memória e Sociedade”, da XV Sociedade Brasileira de Sociologia, realizada em Curitiba, entre 26 e 29 de julho; coordenação do GT “Patrimônios: Entre o material, o natural e o intangível”, do XI Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais/CONLAB, realizado na Universidade Federal da Bahia, entre 7 e 10 de agosto .

Desenvolvimento do projeto:
O projeto que vem sendo desenvolvido pelo grupo de pesquisa “Arte, Cultura e Poder” visa a análise das relações de poder inerentes às práticas culturais.  O poder tem sido analisado a partir de disputas travadas por atores diversos nos fóruns políticos tradicionais. Contudo, grande atenção tem sido dada aos significados simbólicos que são capazes de interferir na forma pela qual recursos são distribuídos e grupos sociais hierarquizados. Na grande maioria dos estudos sobre práticas culturais, encontramos narrativas universalistas que analisam políticas culturais, independentemente do significado inerente às narrativas envolvidas. O silêncio sobre a constituição heterogênea dessas práticas pode representar a valorização de um determinado imaginário coletivo em detrimento de muitos outros. Os debates travados têm avançado na direção de uma melhor definição dos imaginários coletivos constituídos, o que tem sido realizado a partir da constituição histórica das práticas culturais, algumas delas oriundas do processo colonizador, outras da constituição dos Estados nacionais e outras, ainda, de circuitos produtores e comerciais estabelecidos por um processo crescente de globalização de mercados.

No Brasil, o questionamento às relações de poder veiculadas por narrativas nas inúmeras instituições distribuídas pelo país é um fenômeno recente. Não se acredita mais na neutralidade das narrativas culturais. Os estudos aqui desenvolvidos mostram que as relações de poder não estão associadas apenas às lutas entre classes sociais nas suas disputas por distribuição de riquezas. As lutas por reconhecimento fazem parte da agenda de novos movimentos sociais.

Ao longo dos governos liberais das décadas de 1980 e 1990, o mercado foi priorizado e apenas pequenas intervenções ocorreram na esfera cultural. Houve investimento em cidades históricas procurando inseri-las em listas da Unesco e no turismo internacional, bem como a promulgação do Decreto-lei 3.551, em 2000, que instituiu o registro de bens culturais de natureza imaterial.  Apesar do potencial inerente às duas medidas, o desenho “nacional-popular” da nação criado no governo Vargas foi mantido. A quebra oficial com o discurso nacional-popular só ocorreu a partir de 2003, quando o governo retomou uma prática intervencionista na área cultural, e substituiu a antiga ênfase na nação unificada pela defesa da diversidade.  Além das secretarias especiais para afrodescendentes, mulheres e jovens, foram estabelecidas políticas de defesa da diversidade, reforçando conceitos que, em grande medida, a ONU vinha trabalhando no plano internacional desde a década de 1980. A partir de então o Ministério da Cultura tem  compreendido a cultura como um instrumento de inclusão social.

Concluindo, podemos dizer que ainda são predominantes as narrativas universalistas que analisam a produção artística e cultural. O silêncio sobre a constituição heterogênea dessas práticas pode representar a valorização de um determinado imaginário coletivo em detrimento de muitos outros.  O grupo de pesquisa “Arte, Cultura e Poder” valoriza e desenvolve estudos sobre os diversos imaginários coletivos constituídos, o que tem sido realizado a partir da análise histórica das práticas culturais, algumas delas oriundas do processo colonizador, outras da constituição dos Estados nacionais e outras, ainda, de circuitos produtores e comerciais estabelecidos por um processo crescente de globalização de mercados.

 Auxílios e bolsas recebidos:
Edital MCT/CNPq 02/2009 – Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas
Coordenadora: Myrian Sepúlveda dos Santos
Equipe: Profs. Drs. Carmem Lúcia Negreiros de Figueiredo; Geraldo Pontes Jr .; Simone Vassalo; Ronaldo Oliveira de Castro; Tereza Ventura; Victor Hugo Adler Pereira

Auxílio FAPERJ APQ2/2010 – Auxílio Organização de Eventos
Coordenadora: Myrian Sepúlveda dos Santos

Auxílio CNPq/2010 – Auxílio Organização de Eventos
Coordenadora: Myrian Sepúlveda dos Santos

Auxílio FAPERJ APQ3/2011 – Auxílio Publicação de Livros
Coordenador: Geraldo Pontes Jr.

Edital Faperj  15/2011 – Humanidades
Coordenadora: Myrian Sepúlveda dos Santos
Equipe: Profs. Drs. Carmem Lúcia Negreiros de Figueiredo; Geraldo Pontes Jr .; Maurício Barros de Castro; Tereza Ventura

Edital CAPES/PAEP/2013 – Auxílio Organização de Eventos
Coordenadora: Myrian Sepúlveda dos Santos

Auxílio FAPERJ APQ2/2013 – Auxílio Organização de Eventos
Coordenadora: Myrian Sepúlveda dos Santos

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