A língua como patrimônio no Museu da Língua Portuguesa

A língua como patrimônio no Museu da Língua Portuguesa Angela Maria Soares Mendes Taddei

Esta investigação se caracteriza por ser um estudo de caso: meu ponto de partida é o Museu da Língua Portuguesa (MLP), nascido no século XXI, e situado no prédio administrativo da Estação da Luz, na capital paulistana. O museu, patrocinado pela Fundação Roberto Marinho e o Governo do Estado de São Paulo em parceria com outras empresas públicas e privadas, utiliza uma iconografia diversificada, ancorada em novas tecnologias da comunicação, e atrai cotidianamente um impressionante número de visitantes – aproximadamente 800 pessoas – entre frequentadores cativos e espontâneos. Entendida tradicionalmente como patrimônio cultural e celebração identitária da nação, a língua portuguesa musealizada no MLP suscita alguns questionamentos: a) trata-se da língua dos gramáticos, dos linguistas, da língua institucional do museu, ou há espaço para a heteroglossia regional, social, emocional? b) no que concerne à literatura, os critérios de seleção de autores revisitam tão- somente o panteão dos já consagrados, reforçando rituais de comemoração, ou também sugerem talentos desconhecidos? c) como se patrimonializa a língua? descrevendo sua historiografia – gênese, diacronia, expansão geopolítica? como se articula na narrativa do museu a construção de uma identidade nacional centrípeta versus uma heterogeneidade centrífuga? d) em que medida o discurso do museu provoca, em seus visitantes, fascínio, adesão, reverência, indiferença ou refutação?

 

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